MINISTÉRIO DA CULTURA E SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA APRESENTAM

HISTÓRIA

UM CONVENTO VOCACIONADO À CULTURA


O Convento São Boaventura foi construído pelos frades franciscanos holandeses nos anos 1939-1952 para ser a casa de formação dos noviços, em sua preparação para a vida religiosa. É constituído por um edifício em formato de U com dois pavimentos, sótão e subsolo, e uma capela dotada de acústica privilegiada e adequada às missas cantadas em latim e à prática do canto gregoriano, totalizando uma área construída de 3.000 m². Foi totalmente construído em pedra grés, abundante na região, em estilo monástico que remete aos antigos mosteiros franciscanos europeus.

A capela compreende duas partes, uma monástica, austera, com suas estalas individuais em madeira de imbuia trazida da Bahia, e outra para o povo, separada por um arco emiliano de pedra. O presbitério é rasgado por dois altos vitrais de três colunas cada, produzidos na Holanda. Ao fundo da capela, uma rosácea de levíssima delicadeza, em cores harmônicas, ilumina o recinto.

Em seus tempos de Casa do Noviciado, o Convento abrigava diversas atividades artístico-culturais cultivadas pelos frades, em cursos de formação e apresentações internas, como o cantochão (canto gregoriano), canto-coral, música erudita, cinema e teatro.

Por expertise dos frades, criou-se no convento a Escola de Canto Gregoriano, música sacra de origem oriental, que recebia estudiosos e corais de outras localidades. Os frades também cultivavam o solfejo e a polifonia, com o estudo de violino, viola, violoncelo, contrabaixo, piano, além de flauta, clarinete e harmônico, sucedâneo do órgão de tubos.

Em matéria de cultura, a área que mais envolvia os estudantes era o teatro amador, tendo sido estudadas e encenadas, inclusive em localidades vizinhas, as peças O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna; Os Cegos, de Michel de Ghelderode; Exposição de Remédios, de Stuart Walker; Esperando Godot, de Samuel Becket; e Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho.

De 1942 a 1989, o Convento alternou períodos como casa do noviciado, faculdade de filosofia, seminário menor para os iniciantes à vida religiosa e sede da Escola Municipal Santo Antônio, além de abrigar a biblioteca de filosofia e teologia dos franciscanos, com 15 mil volumes. Em determinado momento, havia 140 pessoas habitando o local, entre frades, noviços e seminaristas. Aos poucos, a estrutura de usos foi sendo transferida para outras localidades e, hoje, sete frades residem no convento, dedicados à sua conservação e à formação de poucos noviços.

A partir dos anos 90, o Convento São Boaventura passou a abrigar atividades artístico-culturais da região, encontros, cursos, reuniões, seminários e treinamentos, de natureza cultural, educacional, social e religiosa. A grande procura, por instituições gaúchas e até mesmo do exterior, se deve à tradição de centro cultural e de busca do conhecimento, à tranquilidade local, ao clima ameno de montanha, à acústica da capela e ao acolhimento dos freis. Corais da Alemanha, África e Rússia já se hospedaram no convento, oferecendo, em contrapartida, espetáculos gratuitos para a população local.

O evento de maior destaque é a Encenação da Paixão de Cristo, realizada desde 2006, tendo por palco o jardim disposto em terraços em frente convento. Em 2014, mais de 12 mil pessoas assistiram ao espetáculo, que tem a coordenação da Prefeitura, dramaturgia de profissionais de Porto Alegre e atores ligados ao Grupo Teatral Façarte, de Imigrante. Ver fotos em Documentos do Projeto.

O Convento está incluído na rota turística Delícias da Colônia, o que leva até ele visitantes dos mais diversos lugares. Outro item de atratividade de turistas é o cemitério da Província São Francisco de Assis, onde está sepultado o corpo do cardeal e ex-presidente da CNBB Dom Aloísio Lorscheider, que fez o noviciado e o primeiro ano de filosofia no convento.

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